A escrita ganha muitas formas em mim: espontânea, empurrada, ressacada, ansiada, sofrida ou prazerosa.

Escrevo por paixão, escrevo por prazer, escrevo por terapia ou enlouquecimento.

Escrevo em vários temas; empresto os meus próprios sentires à maioria dos escritos: camuflada ou descaradamente. Escrevo em diferentes tons, sendo o intimista a minha voz de eleição. Escrevo para alguém, sobre alguém, a imaginar *fantasiar* alguém. Escrevo real, escrevo ficção.

Escrevo amor, escrevo erótico, escrevo subtil, escrevo óbvio.

Escrevo não escrevendo.

Questiono-me da minha capacidade de escrita; duvido de mim própria – adoro os meus escritos, fracasso neles; sorrio de orgulho, zango-me de incompetência.

Sou instável na escrita, sou implacável na autocrítica.

Sou tudo e sou nada nas palavras, nos contextos vazios; ando perdida, sem rumo, sem encontrar paz.

Sou caos mas deliciada nele.

Sou tudo na escrita mas, nela, sou tão pouco.

Faço amor com a escrita. Mas também faço guerra – por vezes findada com paz, outras com morte e posterior renascimento.

O que sou ? Sou escrita. Não sendo nada.

Ser-escrevente, ser-viajante. Movida a música e cafeína. Inspirada por sensações, sentires e emoções (eternas e efémeras), amores e desamores.

22 Comments

    1. Isso num artigo onde questiono tudo o relacionado com a minha escrita?… muito obrigada! Não me sinto como tal, de todo. Escrevi dois poemas na minha vida (um aqui já partilhado e outro a ser) e foi sem querer, não ambiciono essa arte.
      (Neste momento já me contentava em arrancar o escrito que tenho em mim em teima em não sair)

    2. “Escrevo amor, escrevo erótico, escrevo subtil, escrevo óbvio.
      Escrevo não escrevendo.
      Questiono-me da minha capacidade de escrita; duvido de mim própria – adoro os meus escritos, fracasso neles; sorrio de orgulho, zango-me de incompetência.
      (…)
      Sou caos mas deliciada nele.
      Sou tudo na escrita mas, nela, sou tão pouco.
      Faço amor com a escrita. Mas também faço guerra – por vezes findada com paz, outras com morte e posterior renascimento.”
      Nossa, identifiquei-me DEMAIS com o texto…TODO ELE! Parece bem coisa de quem também respira e transpira a escrita… Tanto em seus momentos mais ditosos, quanto nos mais caóticos… Às vezes, ambos ao mesmo tempo!
      Para que eu fique sem escrever, nem que seja uma frase ou trecho ao dia, geralmente significa um claro sinal de que algo muito ruim está a me acontecer ou tirando minha energia… Enfim… Parabéns pelo texto!

  1. És palavras, és sentimento em cada escrita…
    és linhas que se alinham ao pensar dum escritor que na alma carrega a paixão pelo ato de escrever.

    – este texto valeu-me como um todo em descrever como podemos ser tudo ao mesmo tempo que sabemos não ser nada.

  2. Não consegui responder-lhe no pedido que fizestes sobre o artigo romântico ou erótico, então respondo aqui: nossas vidas precisam de mais erotismo e menos romantismo…sou romântico, mas amo ser erótico…compartilhe o erótico….

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