Foi-me dado um tema para escrever. Achei o desafio interessante pois, em vez da temática ser “palpável” – uma frase, palavra, cenário ou algo concreto para eu devanear -, foi uma música.

Até aqui, podia ser perfeito, quem me lê conhece a minha relação com a música *eternas amantes*.

Porém, ofereceram-me música clássica – estilo que não pertence a nenhuma das minhas playlists; as músicas clássicas que gosto contam-se pelos dedos da mão.

A música eleita como tema do artigo foi Quatro Estações de Vivaldi.

Senti-me encurralada mas, claro, não fujo de desafios; aliás, adoro um bom desafio!

(boa portuguesa que sou) Fui adiando a tarefa, ao ponto de deixar para a última da hora a escrita do texto. Muitas foram as vezes que, mentalmente, tentei rascunhar uma ideia, uma perspectiva para o artigo – sem sucesso. Eu sabia que teria de me sentar com a música a tocar nos fones e, alheada de tudo, focada apenas na tarefa, escrever.

Na antevéspera de Natal, dia de folga, fui para o meu escritório (o café do “meu” parque), determinada a escrever o artigo.

Foi uma manhã interessante, pela ambivalência da situação: por um lado fracassei na construção de um texto sobre/para o tema (que originou alguns questionamentos), por outro, escrevi um texto que tanto me frustrou como me deu imenso gozo escrever. Adorei o resultado final.

Intitulei o artigo de “Eu e o Vivaldi podíamos ter passado um bom bocado mas…”, e podem lê-lo no blog Páginas Partilhadas.

Deixo-vos uma espreitadela:

Já munida de cappuccino e fones – outra vez na companhia do Vivaldi – volto ao meu local de eleição (ao fundo do café, de costas para tudo o que aí se passa e com vista para o parque).

Respiro fundo.

É agora! Agora é que é mesmo!

Dedilho frases soltas, ideias parvas, ideias absurdas, ideias memorizadas, realidades camufladas.

Não, Leonor! Vivaldi não é nada disto!

Merda.

Tantas músicas me inspiraram, sem pré-aviso, à escrita-insana; tantas me colocaram em implosão em que, estilhaçada, criei textos profundos ou eróticos ou alucinados ou emotivos ou chorosos.

Foi assim que, no fracasso de um momento de escrita, encontrei a satisfação de escrever um artigo – literalmente – de bastidores. O resultado não foi o esperado nem o inicialmente desejado mas foi um resultado surpresa e um texto que me faz sorrir de satisfação. Além disso, como me questiono no artigo, permitiu-me divagar sobre mim própria como escritora, sobre a dificuldade que tive em escrever um texto não-espontâneo, com tema “imposto”. Foi, realmente, um exercício muito produtivo, muito para além da escrita.

E vocês, caros seres-escreventes: como ultrapassam a dificuldade *bloqueio* de querer escrever algo mas não conseguirem encontrar a porta de entrada?

Leiam o meu (des)encontro com o Vivaldi, aqui.

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Ser-escrevente, ser-viajante. Movida a música e cafeína. Inspirada por sensações, sentires e emoções (eternas e efémeras), amores e desamores.

0 Comments

  1. Não se preocupe, esses momentos de não saber escrever ou sentir-se fechada, passa com todos os seres “escreventes”, faz parte da labuta, por outro lado não podemos esperar que sempre a nossa cabeça esteja à disposição da mão; temos de superar esses momentos relativando-os com outras coisas, e nunca perder a coragem e a autoconfiança. Um abraço da Mariluz.

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