Apesar de gostar de vários géneros literários, romance é o que me conquista; é o que ocupa mais espaço na minha estante.

Dentro do género não tenho preferência: pode ser biografia, histórias de (des)amor, romance histórico (adoro), romance policial,… O que me agarra à leitura são enredos de personagens vivas, intensas, complexas. Genuínas.

Em 2017 li romances excelentes – entre eles O Rapaz do pijama às riscas e o Memórias de uma Gueisha e, em leitura, o envolvente: O Buda dos Subúrbios.

Mas além das leituras tive também desistências, livros que voltaram à estante sem terem sido terminados. As razões foram variadas, que vou partilhar convosco.

Assim, deixo-vos a minha lista de desistências de 2017:

Anna Karennina, Tolstoy: este foi um livro que tive imensa pena abandonar, resisti até à última. Estava a adorar a história (sou apaixonada por livros e séries de época). Porém, vivendo em Inglaterra, os meus livros são todos em língua inglesa *a minha estante de cá é só composta por livros comprados em lojas locais* e Tolstoy em inglês não é pêra doce. A leitura, em vez de fluída e envolvente, foi interrompida; estava constantemente a quebrar as frases para, mentalmente, as traduzir. Desisti. Talvez venha a ler a obra em português.

Mainsfield Park, Jane Austin: Desistência pela mesma razão. Com esta (segunda) experiência veio a certeza de não voltar a comprar livros de época em inglês.

The complete short stories, Franz Kafka: as críticas a este grande senhor da literatura são excelentes; nomeadamente o conto A Metamorfose. Assim, quando me cruzei com este livro na livraria comprei-o, impulsivamente. Li dois contos antes de chegar ao Metarmofose: Description of a struggle (não me recordo do que achei) e The Judgement (gostei). Cheguei então ao Metamorfose – não quis ir directamente ao famoso conto, quis criar algum suspense, envolver-me na escrita de Kafka. Li as primeiras páginas do conto “a empurrão”, afinal, eu queria gostar. Mas não estava a ter o efeito pretendido, o raio do conto era mesmo estranho. Parei por uma semana ou duas. Voltei a ele. Mais um esforço. Não, decididamente não gostei. Assim, abandonei o conto e o livro; continua na estante, à espera. Sei que vai ser revisitado; por vezes sinto necessidade de ler algo mais “pesado” e Kafka, apesar de ter o livro em inglês, não me causa a dificuldade dos anteriores. Além disso, quero terminar o Metamorfose, claro.

Worth dying for, Lee Child – De vez em quando gosto de ler um policial. Já tinha tinha lido este autor, o seu policial The Affair, e gostei imenso. Porém, esta história não meu agarrou. Não apreciei o estilo de escrita (não consegui comparar com o The affair, esse foi requisição na biblioteca) e a história não me suscitou interesse suficiente para me esforçar mais um pouco na leitura. Larguei a leitura à pagina 30.

E vocês? Que livros já largaram e porquê?

Imagem: Unsplash

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Ser-escrevente, ser-viajante. Movida a música e cafeína. Inspirada por sensações, sentires e emoções (eternas e efémeras), amores e desamores.

Na minha estante | livros que não li

0 thoughts on “Na minha estante | livros que não li

  • 4 December, 2017 at 7:58 pm
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    Eu deixei o To Kill A Mockingbird este ano… Tentei ler já pela segunda vez, mas fiquei na página cento e tal e o livro ainda sem chegar ao ponto de foco da história. Tinha outras coisas que queria ler, estava a demorar muito a ler este e desisti para ler os outros.

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    • 4 December, 2017 at 8:01 pm
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      Foi o que também me levou a desistir do Karenina. Curioso que o How to Kill a Mockingbird está na minha wishlist de leitura, dizem que é excelente. Assim já penso melhor 🙂

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      • 5 December, 2017 at 6:24 pm
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        O Ana Karenina também desisiti no início, mas porque eu não achei logo a leitura interessante e porque um colega me contou o final ahah Toda a gente que lê o TKAM diz que o livro é lindíssimo e que não sei quê e eu acredito que seja, mas também me dizem que demora a chegar à parte que importa e eu perdi a paciência. 😉

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    • 5 December, 2017 at 7:14 pm
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      Contador destorias: na minha passagem hoje por uma loja em segunda mão encontrei o To kill a mockingbird! Comprei, claro, quero tentar a leitura (por 1 libra vale o investimento eheh)

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        • 7 December, 2017 at 4:40 pm
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          Aqui em Inglaterra temos as Charity Shops que vendem artigos novos e em 2ª mão a preços incrivelmente baratos. Tenho comprado todos os meus livros por lá, sempre a 1 libra 🙂
          (o conceito é as pessoas doarem artigos – novos, semi-usados e usados) às lojas, que vendem a preços acessíveis).

          Quanto a opinião… não deverá ser em breve, a minha lista de livros a ler está grande e ordenada, não sei se esse passa à frente 😉

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  • 4 December, 2017 at 8:39 pm
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    A voz do silêncio de Helena Blavatsky. Neste caso nem foi a língua, pois, esse livro foi traduzido para o português por Fernando Pessoa. Mas a dificuldade para interpretação, é mais voltado para a espiritualidade, acho que ainda não tive maturidade pra isso?

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  • 4 December, 2017 at 8:41 pm
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    Dos que você citou, só li Metamorfose, gostei bastante. Cartas ao pai também é bem inteiressante ??‍♀️

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    • 4 December, 2017 at 8:48 pm
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      A minha amiga também já me recomendou o cartas ao meu pai, mas não consta nesta compilação de contos – ou consta com o título não traduzido literalmente. O metamorfose é o conto adorado por toda a gente, até me sinto mal não ter gostado!

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  • 4 December, 2017 at 8:52 pm
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    Que nada, digo que a leitura que lê a gente e não ao contrário rsss. A voz do silêncio já tentei duas vezes, e vou voltar quando tiver um toque aqui na cuca. Gostei do seu post.??‍♀️

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  • 5 December, 2017 at 10:44 am
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    Li metamorfose de uma vez só… Não havia lido nada sobre Kafka, além da fama, e a loucura do conto me surprendeu e me agarrou. Maravilhoso…
    Só lembro de ter desistido dos: O vendedor de sonhos, do Augusto Cury, por ser um livro clichê de autoajuda numa obra de ficção… Insisti até a metade do livro por não ter outro mas por fim desisti.
    Cristo Rei, da Anne Rice. Até achei interessante, mas não consegui me envolver com a história e tem muitos livros mais interessantes para ler e não pretendo voltar.
    Tenho que citar A insustentável leveza do ser, iniciei a leitura por três vezes abandonando ainda no primeiro capítulo e quando consegui vencer ele virou um dos meus livros/autores favoritos.

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    • 5 December, 2017 at 10:48 am
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      Mais uma pessoa a amar Metamorfose… sou a única que não gostei! Augusto Cury nunca li, nem Anne Rice. E também já me aconteceu amar um livro depois de ter pensado em desistir – por isso ainda dou uma oportunidade aos que não me fisgam de início.

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  • 5 December, 2017 at 10:51 am
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    Acabei abandonando Anna Karenina duas vezes, em ocasiões diferentes há alguns anos, por achar de difícil leitura na plataforma que tinha escolhido na época (não tinha e-book reader, e ler na tela era difícil pra mim). Recentemente levei meses para concluir Mrs. Dalloway, mas insisti e concluí. Estar num livro em papel ajudou, eu acho. Pretendo começar Anna Karenina de novo no próximo ano, só não sei se como e-book ou em papel mesmo.

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    • 5 December, 2017 at 10:53 am
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      Também tenciono acabar a leitura da Karenina, é lindo. Mas terá de ser em português, em inglês é realmente difícil.

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  • 5 December, 2017 at 1:50 pm
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    Vi em algum lugar que pra quem não é fluente na língua inglesa o ideal é começar com livros curtos. Uma dica é começara ler livros infantis e, com o tempo, a leitura corre solta. Depende também da força de vontade, pois livros infantis podem ter uma linguagem tão difícil quanto os livros adultos como os clássicos que você tentou ler. Também você quis ler só os feras da literatura mundial, não é mesmo , rsrsr?

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    • 5 December, 2017 at 1:56 pm
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      Eu moro em inglaterra, sou fluente no ingles falado e escrito; mas literatura clássica realmente não é tarefa fácil 🙂

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  • 6 December, 2017 at 2:44 pm
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    Ah, minha cara, deixei de lado (e, durante algum tempo me senti culpada por isso) o famoso Ulisses. Não é para mim. Tentei várias vezes até que, concordei, que o signore Joyce não é para meus olhos.
    Nesse ano deixei alguns livros de lado, mas acabei por voltar a eles em outra estação (da minha alma, é claro) como ‘nossas noites’ que me seduziu e ‘linha m’.
    Os clássicos em outro idioma sempre são complicados… Jane Austen tem uma linguagem antiga e eles resistem a atualizá-la, o mesmo ocorre com o Machado na terras brasilis o que nos dificulta a compreensão, quando o idioma de origem não é o português. rs
    Eu li Machado em inglês porque a tradução acaba por atualizar ‘e criar um novo livro’. rs

    bacio

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    • 6 December, 2017 at 3:22 pm
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      Verdade, Lunna, temos de aceitar que não temos de gostar de um autor ou livro somente porque toda a gente gosta. Ainda assim, não conhecendo NINGUÉM que não goste do Metarmofose de Kafka, sinto-me uma extraterrestre ?

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  • 7 December, 2017 at 6:25 pm
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    Que tema inusitado e pertinente…hora destas vou escrever um poema sobre os que não li…obrigado pela inspiração…

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  • 7 December, 2017 at 7:54 pm
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    Desisti de dúzias. Esta semana mesmo desisti de reler The old man and the sea, livro maravilhoso do Hemingway. Desisti de O renascimento italiano, do Peter Burke e de A viagem do elefante, do Saramago, ambos muito bons, por pura preguiça, sei lá. Estou lendo Agosto, do Rubem Fonseca (ótimo – romance policial noir com fundo histórico: o episódio que levou ao suicídio de Getúlio Várias, presidente brasileiro do século XX). Mas ultimamente a sensação de mesmice, ainda que nas obras acima da média, tem me assolado. Espero que passe logo.

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    • 7 December, 2017 at 8:28 pm
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      Talvez tentando um estilo diferente. Apesar de ter preferência por romances, tenho na minha estante policiais e um de Stephen King. Não vá estar tão entediada que me queira aventurar em algo diferente 🙂

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  • 12 December, 2017 at 2:34 pm
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    Não deixe de ler Anna Karenina. ” O maior romance já escrito” disse Freud. Uma obra-prima que paira acima de tudo e todos. Obrigatório.

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    • 13 December, 2017 at 6:05 pm
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      Antes, também ia pelas compras “seguras” – sendo que o risco de não gostarmos das obras, apesar de minimizado, existe. Mas agora em Inglaterra, onde encontro boa literatura a preços incríveis (em segunda mão mas não só), faço as minhas compras seguras mas também me aventuro em estilos que não costumo ler. Comprei há uns meses Stephen King – nunca li terror nem sei quando o irei ler, mas adoro tê-lo à minha espera na estante.

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  • 16 December, 2017 at 3:06 pm
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    Foi difícil encontrar um local para escrever um comentário, não tinha visto no teu Post onde publicas-te as musicas que gostas e no final está escrito desafiou a escrever sobre as musicas, como os gostos é igual aceito o desafiou onde comento?
    L.Madelaine

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    • 16 December, 2017 at 3:13 pm
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      Lady Madelaine, o artigo tem vários comentários, não sei o que possa estar a acontecer para não conseguires comentar – estás na página principal ou dentro do artigo?
      Que bom aceitares o desafio – sempre são mais algumas inspirações que bebo 😉

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    • 28 December, 2017 at 8:18 pm
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      Tenciono lê-los, sim, mas terá de ser versão em português. Em inglês clássico não tenho o prazer da escrita fluída.
      Boas leituras para o 2018!

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      • 28 December, 2017 at 8:24 pm
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        sou uma leitora do bom português, kkkk, e adoro ler traduções diferentes de uma mesma obra, a editora 34 alguns antos atrás relançou uma série de clássicos com traduções magnificas. Eu que não sou fã de Dom Quixote tive que admitir que ficou uma versão maravilhosa. Fluida, atual e ao mesmo tempo sem perder o gostinho do clássico.

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        • 28 December, 2017 at 8:31 pm
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          Eu vivo em Inglaterra e compro por aqui os meus livros, sendo fluente em inglês é raro ler na língua materna. Mas obras clássicas é tarefa difícil.

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  • 25 January, 2018 at 8:07 pm
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    A minha desistência foi: Em busca do tempo perdido do Proust. Simplesmente, não consegui. Estou em uma maratona literária e o coloquei na lista. Vamos ver se consigo.

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    • 25 January, 2018 at 9:02 pm
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      Como disse no meu artigo de hoje: acontece-me não gostar de um livro numa certa altura da minha vida e mais tarde ir tentar novamente e gostar. Lemos com os sentires que temos em nós…
      Boa sorte com a maratona ?

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  • 29 January, 2018 at 7:00 pm
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    Sempre tem aqueles livros na estante, que desistimos de ler, ou não conseguimos por algum motivo. Comigo geralmente é por dar detalhes demais que chegam a cansar a leitura, ou pela historia enrolar muito para se desenvolver ;(

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    • 31 January, 2018 at 10:58 am
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      Também me cansam descrições exaustivas. Porém, quando contextualizadas num bom livro, leio-as “na diagonal” e avanço.

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