Desafiei-me a escrever um micro-conto.

Como sabes, adoro desafios, raramente viro costas a um, especialmente se está relacionado com escrita.

Mas escrever um micro-conto revelou-se ser um grande desafio. *com final feliz*

Sempre escrevi imenso, em miúda escrevia diários, em adolescente cartas para amigos ou paixonetas (algumas enviadas outras nunca conheceram a luz do dia) ou textos soltos – tudo era pretexto para escrever. Como ainda hoje é.

Porém, sempre tive um problema: ausência de capacidade de síntese.

Na prova de acesso à universidade perdi pontos porque, conhecendo-me, escrevi numa folha de rascunho a composição solicitada para, depois de sintetizada, passá-la a limpo na folha de teste. Demorei tempo demais no processo e, chegada a hora de acabar o exame, entreguei o meu com a composição a meio.

Aos poucos fui melhorando a capacidade de síntese mas foi no curso de escrita criativa que aprendi a analisar criticamente o texto, a detectar gorduras e, em revisão, exterminá-las.

Não foi uma aprendizagem com resultados imediatos mas, com muita escrita e contínuo estudo de técnicas de escrita, fui aperfeiçoando-a. É um processo em curso, claro, mas hoje a minha escrita está muito mais esbelta.

Este mês, o tema do Páginas Partilhadas (ponto de encontro de escritores) foi Micro-conto.

Haverá teste mais cirúrgico à minha capacidade de síntese?…

Ao contrário de outras vezes, que tive de pensar no tema a escrever, este tinha-o em mim. Como partilhei na última Newsletter (ainda não te juntaste a nós? Subscreve aqui!), tenho em mim um tema em murmurinho, a cozinhar em lume muito brando. Já experimentei o seu sabor em rascunhos aleatórios, já o desvelei neste artigo. Agora, senti-o num micro-conto.

É um tema delicioso, um dia vai ganhar corpo (porque alma já tem)

A escrita deste micro-conto foi rápida, espontânea e a sua revisão correu lindamente. Demorei alguns dias a encontrar um adjectivo perfeito mas não me pressionei, eu sabia que ele viria até mim.

O resultado final é maravilhoso, estou encantada com o meu (primeiro) micro-conto.

Começa assim:

Os olhos azuis encontram uns castanhos. O clarão abriga, em redoma, a labareda.

Lê-o na íntegra no Páginas Partilhadas e diz-me se gostaste.


Adquire o meu livro de contos

Imagem: Unsplash

Ser-escrevente, ser-viajante. Movida a música e cafeína. Inspirada por sensações, sentires e emoções (eternas e efémeras), amores e desamores.

O olhar | Bastidores de um micro-conto
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4 thoughts on “O olhar | Bastidores de um micro-conto

  • 29 Março, 2018 at 9:18 pm
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    Adorei o conto e só não consegui curtir o post da página aonde estava porque meu aplicativo da wordpress está dando bug. Mas adorei!
    Beijis

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    • 30 Março, 2018 at 7:31 am
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      Obrigada! Beijinhos 🙂

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  • 1 Abril, 2018 at 9:33 pm
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    A imaginar-me nessa seara. Mini contos não é para mim. Adoro escrever e sempre escrevo a nado…. com braçadas largas. rs Depois risco tudo e rabisco. Leio e leio até ter certeza do desfecho. Como tu, comecei com diários e missivas. Deixei tudo de lado quando descobri os blogues no final do século passado (adoro dizer isso) parece que foi em outra vida. Mas eu sempre escrevi a nado. O pouco texto não é para mim. Embora adoro ler mini-contos e há quem os faça com perfeição, não é o meu caso. rs
    Agora chega de escrever, vou até lá, ler-te.

    bacio

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    • 1 Abril, 2018 at 11:01 pm
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      Fazes-me sempre sorrir com os teus comentários, Lunna 🙂
      Pois eu escrevi, pela primeira vez, este micro-conto e gostei tanto que… isso mesmo, já saiu outro! Gostei mesmo da experiência.

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