Viajar faz parte do meu ser.

Nem sempre foi assim. Enquanto morei em Portugal passava alguns fins-de-semana em família numa das belas cidades ou aldeias do meu país – mas não com o sentir que tenho agora *talvez por ser outra vida, outra eu*.

Depois de ter emigrado para Inglaterra, em 2014, descobri o prazer de pegar na minha mochila e ir explorar, sentir, viver novos locais.

Mudei-me em Outubro e em Novembro passei o meu primeiro fim-de-semana fora: Cambridge foi a eleita (a escolha perfeita). A partir daí nunca mais parei. Limitada à capacidade financeira, ora vou ao estrangeiro, ora fico por aqui, em Inglaterra – e fico muito bem entregue, este meu Lar tem locais maravilhosos.

No início de 2015 fiz a minha #bucketlist, listei os locais que pretendo conhecer antes de morrer. Pelo andar da coisa serei imortal: já risquei alguns mas outros foram adicionados à lista. Nada que me preocupe. *a imortalidade ou a soma dos destinos*

No topo da lista escrevi Islândia, no Inverno. Para conhecer o país e ir (vi)ver as mágicas Auroras Boreais.

Apesar de ter prioridade, não foi o meu destino imediato. Sou muito intuitiva, as minhas decisões são tomadas, quase em exclusivo, com emoção, ouvindo a minha intuição. Sempre senti Islândia como algo especial, que havia um propósito na viagem. Eu saberia que o momento de voar até lá havia de chegar, sem agendamentos.

No início de Janeiro de 2017, repentinamente e sem contexto, senti: estava na hora de viajar até à esplendorosa Terra da Neve (Snæland).

Não me questionei, não contrariei. Não tinha juntado dinheiro suficiente para a viagem, mas havia chegado a hora: Islândia chamava por mim.

Acumulei (ainda mais) horas extras nesse mês, a minha cria emprestou-me o dinheiro que me faltava e pronto, a questão financeira estava resolvida.

Como o universo gosta de conspirar a meu favor, andava eu a fazer o meu habitual roteiro de viagem, a pesquisar hostels, adereços de frio a levar, etc.; a amiga M. pôs-me em contacto com uma colega de liceu que mora na Islândia, para ela me dar dicas. Resultado: ela e a irmã convidaram-me para ficar na sua casa.

Mais importante que a poupança de dinheiro – Islândia é caríssima – foi a estadia espectacular que as manas me proporcionaram. Pessoas sorridentes, espíritos positivos e anfitriãs incríveis. *para sempre, muito obrigada*

No dia 7 de Fevereiro de 2017, de mochila às costas, entrei no avião que me levou a viver a viagem mais incrível da minha vida.

Islândia foi muito mais que paisagens arrebatadoras: foi crescimento pessoal, transformação; foi desafiar os meus limites; foi permitir que os meus sentires assumissem o seu devido lugar; foi viver comigo, na essência e na verdade.

Islândia foi felicidade.

Irei escrever, isoladamente, sobre o meu roteiro. Comprei várias excursões, vivi experiências incríveis: fiz o famoso círculo dourado; vi cascatas majestosas; desci a uma cratera de vulcão; fiz caminhada num glaciar; espantei-me nos poderosos e escaldantes geisers; caminhei pelas avenidas de Reykjavík; andei em solidão num grandioso parque nacional (onde, sem saber, fui dada como desaparecida). Vi paisagens que uma câmara fotográfica jamais poderá reproduzir os sentires expirados pela Natureza.

Um dos locais que não vão ver é a famosa Lagoa Azul: apesar de ser um destino apelativo não foi, para mim, um primordial. Deixei em aberto esse programa. Já na Islândia, num dia sem programação, tentei ir mas não havia bilhetes: é uma actividade que requer marcação antecipada. Mas não fiquei chateada, era daqueles destinos que ia só por ir. Apesar de ser extraordinário, não era o que me apetecia.

Quanto ao sonho de estar sob o céu magnetizante das autoras boreais, infelizmente não o realizei. Na semana da minha viagem esteve sempre céu muito nublado, o que impossibilitou visualizar o fenómeno.

Lá tive de adiar a realização do sonho e, estrategicamente, agendei novo local *mais um destino na bucket list*: agora o desejo é ir ver as auroras no Alasca.

Um dia voltarei à Islândia, agora no Verão – irei percorrer o país numa caravana. Um sonho espectacular, concordam?

Antes de vos deixar algumas imagens das minhas aventuras, deixo a referência que, exceptuando os passeios pela capital, todos os meus percursos foram feitos em excursão, usei a empresa Extreme Iceland. Além das excursões serem excelentes, os guias foram muito simpáticos e disponíveis (coitado do guia do parque nacional que quase chorou quando me encontrou); e é possível alugar equipamento (eu aluguei botas). O serviço é excelente, recomendo.

Bem, chega de conversa, vamos às fotos, apresentadas por ordem de percurso. Infelizmente não tenho câmara fotográfica, só usei o meu telemóvel mas, mesmo assim, tenho uma colecção de boas fotografias.

Dia 1: Reykjavík

Este dia foi passado com a minha anfitriã, na capital. Só saímos de casa às onze da manhã, havia alerta vermelho até ao meio-dia, mas não conseguia esperar! Assim, fomos até à cidade (vinte minutos de autocarro), onde vi pessoas a andar de marcha atrás a contrariar o vento; patinei em placas de gelo *por patinar quero dizer escorregar*. Mas a tempestade lá acalmou e depois do almoço num restaurante crudi-vegetariano, fomos passear:

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Monumento vicking: Solfar (Sun Voyager) Sculpture
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Um dos grafitis da cidade. O mais incrível que já vi!

Dia 2: Círculo Dourado

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Cratera do vulcão Kerið
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As famosas cascatas Gulfoss
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O meu happy-traveler-smile
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Geiser, na zona geotermal Laugarvatn
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Geiser, a preparar-se para subir aos céus (os vermelhos e castanhos não são photoshop, são cores reais)
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Paragem na quinta Efstidalur (onde comi gelado com vacas)
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Os famosos e adoráveis cavalos islandeses
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Thingvellir National Park *nesta altura estava dada como desaparecida, o grupo andava à minha procura – como se vê pelo meu ar satisfeito, não fazia a mínima ideia disso*
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Thingvellir National Park
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Thingvellir National Park – uma das cascatas

O terceiro dia, rendida ao cansaço, dormi até mais tarde e passei a tarde em Reykjavík. À noite, fomos sair. Sobre esse evento não há fotos, apenas memórias incríveis. *uma delas a dificuldade de sair da cama para o dia 4*

Dia 4: Cratera Vulcânica

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A entrada
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O interior
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A saída

O dia 5 foi passado em casa, a descansar e a usufruir da companhia das anfitriãs.

Dia 6: Tour ao Sul da Islândia e caminhada no glaciar

Este foi o dia mais espectacular da viagem. Além da beleza que presenciei, a experiência do glaciar foi das melhores da minha vida, A M E I !

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Bucket list!!! Estar por trás da esplendorosa cascata Seljalandsfoss foi sonho tornado realidade
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Uma fotografia profissional da Cascata Seljalandsfoss, para terem uma ideia da sua grandiosidade. Onde eu estou, na foto acima, é na parte inferior da rocha, percebe-se um trilho. Fonte: Extreme Iceland
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A imponente cascata Skógafoss, num dia super ventoso (impossível conseguir uma foto melhor – com o telemóvel, pelo menos)
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Caminhada no Glaciar Solheimajokull. Enchouriçada de roupa, com frio e com calor, mas feliz como nunca
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Felicidade estampada
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Tanta beleza junta! O contraste do Glaciar com a paisagem vulcânica.
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Dentro de uma caverna de gelo, no glaciar. Um local mágico.
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A excursão terminou a Sul do País, com a visita das praias de areia negra, Reynisfjara. A foto não está a preto e branco: são as cores reais.
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A praia de areia negra, vista de cima. Crédito de imagem: Extreme Iceland

Podem respirar e voltar ao mundo real…

Islândia foi uma viagem inesquecível. Todas o são mas esta foi especialmente maravilhosa.

E vocês, têm uma bucket list? Que países desejam visitar? Contem tudo, a minha lista ainda tem espaço!

Ser-escrevente, ser-viajante. Movida a música e cafeína. Inspirada por sensações, sentires e emoções (eternas e efémeras), amores e desamores.

33 Comments

  1. Islândia com certeza está na minha bucketlist. Mas acho que também precisarei ser imortal para ir a todos lugares que quero.
    E as fotos estão lindas, ainda que sejam do telefone celular.
    Não tenho uma ordem certa, mas quero ir, por exemplo, à Dinamarca, Noruega, Canadá, Portugal (pode passar dicas!), Espanha, Inglaterra, Irlanda, Itália, Suíça, Japão, China… E voltar a vários outros lugares em que já estive também. Se possível, um dia também quero assistir ao belíssimo fenômeno da aurora boreal.

    1. Que bucket list incrível a tua! A minha incluí Noruega, Alasca e/ou Gronelândia (com aurora boreal), Islândia no Verão (percorrer o país em caravana), Escócia (Norte), Áustria, Irlanda, Açores (Portugal), Moscovo em Dezembro, Perú (Machu Pichu) e mais alguns,… Seremos imortais!
      Na lista estava o País de Gales e fui em Junho, foi, também, uma viagem incrível.
      Como costumo dizer: os sonhos são para perseguir, portanto…

  2. Eu viajo na sua viagem…(financeiramente, ainda não consigo ir à Islândia e, nem mesmo, na França e Itália que desejo ir. Por enquanto, fico aqui mesmo na América, conhecendo o meu tão rico, belo, grande, e, igualmente, sofrido Brasil. Viajei com você pelas fotos e pelo didático texto. Na sua lista o Brasil consta?

    1. Vivendo em Inglaterra tenho a vantagem de poder voar para a Europa a preços muito simpáticos (muito mesmo). Brasil não consta da minha lista. Apesar de ser ter locais lindos, não me atrai, e só agora parei para pensar nisso. A minha lista é toda pela Europa, com excepção para a Tailândia (nunca sozinha).

    1. Obrigada! Os destinos dependem sempre dos objectivos e, acima de tudo do que se gosta. Eu amo selvagem, natureza. O ano passado fiz esta viagem incrível e em Junho outra maravilhosa (também na bucket list): percorri o país de Gales. É o meu estilo de viagem. Não nego metrópoles mas não são a minha primeira opção.

  3. Que lindas fotos e que viagem maravilhosa! Parece ter sido realmente inesquecível! Viajar muda nossa vida, em pequenas e grandes coisas. Eu poderia dizer que minha lista inclui o mundo inteiro, são muitos lugares que quero conhecer. Mas o próximo país a conhecer será México.
    Um abraço!

  4. Preços baixos definitivamente não são comuns no Brasil. Viagens para o exterior são para uma pequena parcela da população. Algum motivo especifico para não incluíres o Brasil na sua lista? Ou realmente é só falta de interesse? Fraterno abraço.

  5. Gosto de viajar… e quando vivi em Coimbra, o fazia muito. Conheci muitos lugares incríveis, que me modificaram, com certeza. Parte de mim ficou por aí e a parte que ficou comigo sofreu aquela transformação deliciosa de quem tocou e se deixou tocar. Aprendi muito nos lugares por onde passei. Hoje viajo menos, mas ao ler posts como o seu, é como se a alma deixasse o corpo e fosse por aí, vestindo seus passos, seu olhar. Uma delícia.
    Ainda tenho lugares que gostaria de conhecer (que não os tem?) mas para os próximos dois anos os planos são de raízes, pois tenho cá um projeto a me ocupar e não posso dele me descuidar, tampouco afastar-me.

    bacio

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