Adoro desafios.

Desafios sobre escrita, esses, atingem-me certeiro na jugular.

Há uns dias, a Catarina Duarte, do blog (In)sensatez, desafiou-me com este:

Desafio a quem me lê (e que gosta de escrever) a responder a esta pergunta: tenho de escrever?

Teve impacto imediato, claro. Mentalmente, a resposta rascunhou-se.

Baixem lá as expectativas, sim? Não vão ler nenhum texto envolvente, de filosofia de vida ou amor incondicional. A escrita sai-me das entranhas, nunca poderei falar dela e da nossa relação com palavras mansas e frases arrumadas. Caos! Em mim a escrita é caos.

Aqui vai a minha participação ao desafio:

Tenho de escrever?

Pergunta tão simples, não é?

Para um ser não-escrevente talvez seja. Bem, pensando nisso, talvez até para um ser-escrevente seja simples, que sei eu? Para mim é uma pergunta complexa de responder. Fácil mas complexa.

A resposta simples é: sim, tenho de escrever. A frase da minha Bio: “escrevo nos tempos livres e penso em escrever nos tempos ocupados” e a minha hashtag preferida – #souescrita -, resumem o lugar que a escrita tem na minha vida.

Agora a resposta complexa (parte dela, pelo menos):

SIM, tenho de escrever! Tenho de escrever por sanidade mental e por insanidade mental; tenho de escrever por terapia, para exorcizar emoções avassaladoras; tenho de escrever por necessidade de legendar sentimentos; tenho de escrever para fugir à realidade, para viver num mundo ficcional; tenho de escrever para satisfação pessoal e reinvenção; tenho de escrever para sentir – eu comigo – todas as emoções que (me) faltam no mundo exterior. Tenho de escrever para criar um universo, vidas e enredos, em que tenho total controle; tenho de escrever para me transportar e, depois, voltar. Tenho de escrever porque ao dar vida aos meus personagens posso viver, eu também, as suas aventuras *insanidades*. Tenho de escrever para me camuflar, para me esconder e para me revelar. Tenho de escrever porque é paixão corrosiva.

TENHO DE ESCREVER.

Mas exactamente pelas mesmas razões, às vezes preciso não escrever.

Preciso de mutismo mental; de silenciar as vozes que exigem ganhar vida no papel (não, não sofro de esquizofrenia). Preciso não escrever para fazer, terminado o escrito, o luto de certos personagens *já chorei por um*; preciso não escrever para ressacar, para sofrer com a falta do vício, para acumular desejos e caos; preciso não escrever para não me fundir nos personagens.

No final? Escrevo, muito, muito mesmo: rasurando frases aleatórias no caderno, despejando diálogos profundos e sensoriais no teclado; criando, mentalmente, descrições de um personagem; transformando paisagens em pseudo-poesia,…

Tenho de escrever? Sim, tenho. Tenho de escrever para viver.

 


O meu livro de contos, disponível AQUI

Imagem: Unsplash

Ser-escrevente, ser-viajante. Movida a música e cafeína. Inspirada por sensações, sentires e emoções (eternas e efémeras), amores e desamores.

7 Comments

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