Terminei ontem de ler As pontes de Madison County.

É dos mais belos livros que já li. Os últimos momentos de leitura foram embaciados pelas lágrimas correntes (escrevo este artigo com o lenço de papel ainda em funções).

Que história maravilhosa, que escrita poderosa. Perfeição.

Inspirada pela beleza e tocada pela profundidade e qualidade de escrita, terminei de o ler e tive, de imediato, este artigo para ser escrever. Sentei-me na mesa de trabalho mas, antes, afastei os meus escritos em revisão, pousados ao lado do computador: a minha escrita rasurada a vermelho poderia contaminar a beleza das páginas que ainda me sussurravam, as emoções desfiltradas e inocentes que li *senti, no âmago*.

Li As pontes de Madison County em ebook e, no final, outras três obras do autor foram sugeridas. Irei devorá-las, certamente. A escrita dedicada, suave, com o enredo compactado na quantidade perfeita de palavras, as emoções oferecidas em imagens sinestésicas; sentimos como a Francesca sentiu, amamos como o Robert amou.

Amamos com eles, rimos na cumplicidade que o autor fez ser nossa também, derramamos lágrimas na sua dor.

As pontes de Madison County é um livro perfeito.

Chegando à parte final, recordei-me de um texto que escrevi há dois anos, para um Campeonato de Escrita Criativa que participava.

Escrita rústica, já na minha voz, mas não com a organização e qualidade que fui conquistando (caminho que percorro, diariamente).

Partilho convosco o texto mas, antes, recomendo que leiam esta maravilhosa obra de Robert James Waller.

Vão sorrir, vão chorar, vão abraçar o vosso amor: abraço físico, abraço memorizado. Vão sentir, vão agradecer ter vivido os desamores que (eventualmente) já viveram. Porque, no final, o que faz sentido na vida são os momentos que vivemos, as memórias felizes que guardamos.

Ser  Feliz por Viver, ser Feliz no Sentir.

Deixo-vos o meu texto (com uns pozinhos de edição):

A nostalgia arrebata o meu velho e cansado coração, apodera-se do meu corpo sem pedir licença. Ao reler a antiga correspondência tinha a certeza que ia entristecer, aprofundar o vazio que deixaste quando partiste. Faz hoje 33 anos desde o nosso último encontro: hoje tenho de sentir-te mais próximo.
Sentado no cadeirão, a carta pousada no colo, ganho coragem para me chegar a ti. Inspiro, releio as palavras que me enviaste há tanto tempo atrás, as mais tristes que algum dia me escreveste:

«Meu querido António,
Escrevo-te estas últimas linhas com palavras sopradas pelo coração, abraçadas pela alma, enviadas no meu Sentir. Ao escrever-te, as lágrimas correm, silenciosas, pelo meu rosto – quentes e tristes lágrimas. Muitas foram as que derramei mas, dolorosas de saudade e mágoa como estas que me assolam, jamais.
Porém, esta tristeza que me pertence é aliada de recordações maravilhosas, oferecidas por ti, todos os dias. O vazio do meu peito é colmatado com o amor que te tenho.
O nosso amor foi efémero fisicamente mas eterno nas nossas memórias. Roubaram-nos o sonho, arrancaram-nos o nosso Ser mas sabemos, ambos sabemos, que jamais as nossas almas se irão separar.
Recebe, nestas palavras, o meu sentir por ti, por nós; a minha felicidade da beleza que (temporariamente) vivemos. Para mim, seremos eternos. Amo-te meu querido, agora e sempre.»

Aperto a carta contra o peito, recosto-me, fecho os olhos e sinto o meu despedaçado coração a perder a sua batida, a enfraquecer o seu viver; a entregar-se à paz.
A minha última expiração chama o teu nome.

 


O meu livro de contos, disponível aqui

Livros que me conquistam (e um Conto original)
Tagged on:     

Deixe uma resposta

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *