Quantas vezes andas atarefado na vida alheia à escrita e o teu cérebro bombardeia-te com ideias geniais para depois, quando finalmente te sentas ao computador para escrever,… puff, nada de nada. Frustrante, não é?

Ser escritor é passar por estes momentos de bloqueio criativo. O importante é não ficarmos reféns e enfrentar a besta.

Como fazer isso? Compreendendo o que está por trás do bloqueio criativo. Ao saberes o que o causou, saberás como o enfrentar.

Hoje apresento-te as 5 principais causas para o bloqueio criativo de autores e estratégias para as combater para, rapidamente, voltares à acção.

As principais 5 causas para o bloqueio criativo + estratégias para o ultrapassar

Causas para o bloqueio criativo e como o vencer

1. Perfeccionismo

Enumero esta em primeiro lugar por egocentrismo: o perfeccionismo é a principal causa  dos meus momentos de bloqueio.
Apesar de seguir os meus próprios conselhos, muitas vezes é-me difícil não editar enquanto escrevo. Como, na maioria das vezes, a primeira versão dos meus escritos está longe da qualidade que me exijo, perco a motivação por não vislumbrar, nesses rascunhos (que teimo em não os encarar como tal), o produto final que ambiciono.
Li algures: “ao carregares na tecla apagar estás a perder o teu ritmo”. É verdade! Assim, o ideal é escrever sem editar, com gralhas, erros, ideias absurdas… tudo pertence num rascunho.

Sobre o perfeccionismo, Anne Lamott, afirma:

Perfectionism is the voice of the oppressor, the enemy of the people. It will keep you cramped and insane your whole life, and it is the main obstacle between you and a shitty first draft.

2. Perdeste a conexão com o personagem

Não raro, os autores sentem que os personagens deixaram de “falar consigo”.

Para escrever, assumimos o personagem como parte de nós – somos ele/ela enquanto escrevemos, falamos a sua linguagem, sentimos as suas emoções, agimos na escrita (só aí?…) como o personagem.

Enquanto estamos na nossa bolha de escrita, deixamos de ser nós próprios para sermos eles: os nossos personagens.

Quando essa conexão desaparece – e podem ser muitas as razões para isso acontecer -, entramos em bloqueio criativo.

Para que a ligação volte a acontecer é recomendável uns dias de afastamento. Lê, passeia, afasta-te da escrita mas sem a excluíres de ti. Leva o personagem contigo, dentro de ti; ouve o que diz, sente porque deixou de falar contigo: deste-lhe alguma reacção que não se enquadra na sua personalidade? A sua evolução foi no sentido oposto ao que ele merecia ou, ao invés, ainda não evoluiu?

Analisa, à distância, a causa pela qual o personagem deixou de falar contigo.

Sobre esta temática, Andre Dubus III diz:

I began to learn characters will come alive if you back the fuck off (…). If you allow them to do what they´re going to do, think and feel what they´re going to think and feel, things start to happen on their own. It´s a beautiful and exciting alchemy.

3. Pressão de um sucesso anterior

Ter já publicado um livro (ou artigo) de sucesso incute uma enorme responsabilidade no autor. Criamos o peso de escrever, no mínimo, um texto/livro tão bom quanto esse.

Essa ansiedade a que nos sujeitamos é um potencial bloqueio criativo. A única forma de o combater é escrever, escrever mais e nunca parar de escrever.

Só escrevendo estamos a praticar a arte, a aperfeiçoarmos as nossas técnicas, a afinar a nossa voz; a desenvolver a criatividade – e, com isso, a superar os bloqueios criativos.

Samuel Beckett, afirma:

Ever tried. Ever failed. No matter. Try again. Fail again. Fail better.

4. Medo de rejeição

O medo de rejeição anda de mãos dadas com a escrita, é uma sombra na vida de autor.

Quem escreve deve fazê-lo por si e para si, porém, a crítica pesa, principalmente se ambicionamos ser publicados ou reconhecidos como autoridade numa temática.

No mundo da blogosfera este medo também está presente, cada artigo que publicamos traz sempre acoplado a sensação de: “e se ninguém gostar?”, “e se acharem inútil ou parvo?”,…

Como desconstruir, então, esse medo? Em primeiro lugar é assumir que o teu público alvo é bastante distinto: algumas pessoas vão adorar o que escreveste, outras não, outras nem se vão dar ao trabalho de abrir o artigo ou ler a sinopse do livro. Grandes nomes da literatura não são amados por todos os leitores!

Outra maneira de atenuar os teus medos, é pedir feedback aos leitores: podes enviar um capítulo ou usar beta leitores para o teu livro.

Críticas construtivas são o que nos fazem crescer.

Anne Enright tem uma perspectiva bastante assertiva sobre este receio: 

You must recognise that failure is 90% emotion, 10% self-fulfilling reality, and the fact that we are haunted by it is neither here or there. The zen of it is that success and failure are an illusion, that these illusions will keep you from the desk, they will spoil your tallent (…).

5. Estás exausto!

Por vezes estamos tão apaixonados e entregues à nossa escrita que o mundo lá fora deixa de existir – as tarefas domésticas acumulam, o sono é apenas o essencial, trabalhamos ansiosos que o turno acabe para voltarmos à escrita,…

Por muito que pareça que este ritmo alucinante é saudável – afinal, a produtividade e a nossa felicidade dão-nos essa sensação – não é.

Escrever incessantemente, excluirmos actividades sociais ou de lazer da nossa vida, vão enfraquecendo a nossa resiliência e, até, o nosso sistema imunitário.

Encontra, diariamente, momentos alheios à escrita: um passeio no parque, um encontro com amigos, vai ao cinema, à esplanada ler um livro. Faz o que te faz feliz – isso vai-se reflectir na qualidade da tua escrita. E na tua saúde.

Stephen King, valoriza, também, o descanso na vida de um escritor:

It´s important to have a strong balance in your life, so writing doesn´t consume all of it

Conclusão

O melhor antídoto para o bloqueio criativo é o auto-conhecimento.

Ao identificares o que te impede de escrever, vais encontrar estratégias para o contrariar e, rapidamente, voltar à escrita.


Vamos conversar

Já passaste por algum momento de bloqueio criativo? Como o ultrapassaste?


 

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Ser-escrevente, ser-viajante. Movida a música e cafeína. Inspirada por sensações, sentires e emoções (eternas e efémeras), amores e desamores.

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