Na escrita, sou emoção.

Cada conto que escrevo é um reflexo de mim, parcial ou escancarado. *estou sempre lá*

Um tema recorrente na minha escrita – óbvio ou camuflado – é a perda. Vivi-a, desesperei-a nas entranhas.

[Carrego a sua dor]

Para a pessoa que perdi, escrevi uma despedida (somente o consegui fazer dois anos depois).

Escrevi para ele mas também para mim, como parte do meu processo de luto. Como partilhei no artigo Ser-escrevente | O início do percurso, tornei-me ser-escrevente “por acidente”: numa noite de insónia, assolada pela tristeza, fui invadida pela vontade de escrever sobre a sua causa. Escrevi. Nunca mais parei de o fazer.

A escrita começou por ser terapia e, rapidamente, passou a prazer, dedicação. Até conquistar um espaço definitivo de Ser: paixão, vício, entrega, sobrevivência. Sou Escrita.

Porém, sendo isso tudo, a escrita nunca deixou de ser um instrumento emotivo, de me dar acesso às emoções camufladas, de me permitir expô-las, lidar com elas de forma menos sofrida. Por vezes, de as traduzir.

Ainda hoje a escrita faz parte da perda.

Um dos textos que escrevi, nesse contexto, é o conto Futuro de Passado.

Foi escrito com coração sangrado e editado com lágrimas correntes.

É o meu texto mais transparente. Nele, tudo é real.

Quem o leu adjectivou-o (alguns em lágrimas) como: “belo”, “profundo”, “espectacular”, “foda-se!”,…

Como autora, arrepio-me nestas críticas – quem não quer ter o seu trabalho gostado? Mas este conto é tão mais que um texto: é uma homenagem, um eternizar de alguém que jamais merece ser esquecido. *nunca será*

O Futuro de Passado, começa assim:

O coração lateja de saudade, as recordações insistem-se, são projectadas em modo contínuo, minuciosas, lembram-na do que já não tem – do que perdeu, para sempre.
Decide não criar novas memórias: irá viver suspensa no tempo, fiel ao passado, reproduzindo cada pedaço de vida que morreu com ele. O seu futuro será uma réplica do seu passado.
Determinada a viver feliz, cria uma nova realidade: com ele em si, ausente na vida.
Não existirá, nunca, outra pessoa senão ele.

O conto reflecte perda, o conto é sobrevivência. É um percurso.

Amor, esse, é eterno e imutável


O meu livro de contos, disponível aqui

Ser-escrevente, ser-viajante. Movida a música e cafeína. Inspirada por sensações, sentires e emoções (eternas e efémeras), amores e desamores.

8 Comments

  1. A dor é parte integrante da vida. Se não dói, não está vivo, diriam mesmo uns. Principalmente quando a perda acontece muito tempo antes do que devia ter acontecido, cessando não uma vida, mas uma infinidade de vidas. Não há nada que se possa fazer. Não há remédio. Segue-se. Só.

    1. Precisas de cartão internacional? Essa é novidade para mim. O livro está disponível em todas as Amazon. Se me puderes confirmar essa informação agradeço, preciso saber o que se passa.
      Obrigada 🙂

      Bastidores da Escrita

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