Quem me acompanha sabe que não escrevo sem música.

Agora que comecei a escrever um novo livro, ando *desesperada* em busca incessante de músicas que me empurrem à escrita, que me despertem os sentires adequados; que me aticem a imaginação, me levem ao sentir que preciso; às emoções culminantes.

Ao explorar as minhas playlists no youtube, para me inspirar a criar uma nova – livro#3 –, tive a sensação espectacular de associar a tantas músicas, escritos: contos, diálogos, cenas, momentos. Tanta história por detrás da música!

Desconheço a razão, mas a cada escrito novo preciso de música nova; é raro reciclar bandas sonoras. Para inspiração, motivação ou edição de textos, posso usar qualquer uma das minhas playlists (desde que adequadas à mood), mas para o acto da escrita tem de ser música nova. Tarefa em curso, portanto. 

Neste artigo partilho convosco as músicas mais marcantes para a minha escrita. Espero que gostem.

Começo pelo fim, com a partilha de três músicas que já fazem parte da playlist de escrita do novo livro. São ainda só três *enviem sugestões, por favor!* mas são poderosas. Aqui vão elas:

Kaleo, Way down we go: Assim que a ideia do novo livro se formou em mim, fui para o Spotify em busca de música para elaborar a minha nova playlist: livro#3. Depois de explorar imensas músicas, de ouvir os primeiros segundos de dezenas delas, aparece esta. Exactamente o que eu preciso, ideal para (me) despertar, para me colocar na mood ideal, mais acelerada, insana, acesa. É incrível. Escrevi sobre ela no artigo: Quando a escrita insana conhece a música perfeita

Moby with Skylar Grey, The last day. Alguém reconhece aquela sensação de começar a tocar *nos fones* uma música que nos arrepia a pele toda, que nos provoca a sensação de levitar, de desligar do mundo? Para mim foi esta. Foi mais uma oferta do Spotify e já faz parte da playlist livro#3. Tenho-a ouvido no brainstorming de ideias, em particular na caracterização dos personagens. É brutal.

Imagine Dragons, Thunder. Conheci esta música numa aula de pole dance, tive de descobrir imediatamente quem a cantava. Mexe comigo, desperta-me, incita-me,… Tenho-a ouvido incessantemente no processo de estruturação do novo livro, para magnetizar ideias. Adoro-a.

Terminada a (reduzida) playlist do novo livro, partilho as músicas dos escritos já concretizados:

Anthony and the Johnsons, um pequeno artigo de homenagem e reconhecimento de grandeza: ” Um arrepio de música“. Apesar de ter inspirado escrita profunda, intimista e genuína, não a consigo atribuir a um único escrito mas, antes, a uma fase: ao nascimento do ser-escrevente que sou, do caos das ideias e emoções acumuladas, a ganharem forma escrita. Alguns escritos estão arrumados, como peças valiosas, outros foram frases e parágrafos soltos, acumulados em pilha, guardados como recordação.

Roger Waters, The pros and cons of hitch hiking – para mim o melhor álbum alguma vez feito (sendo que o Tubular Bells de Mike Oldfield está muito perto). Sempre que quero escrever erótico recorro a este álbum, é perfeito para essa mood. Escrevi, em resposta a uma questão no facebook, este artigo: Quando a pergunta é: “qual a tua música preferida?”.

Flume & Chet Faker, Drop the Game: Esta música teve em mim o mesmo impacto que a de Kaleo, ao ouvi-la tive a sensação de perfeição, a cena que queria escrever  para o meu romance Telma, “se vamos falar de mim não é com suminhos”, precisava exactamente desta batida; da sensualidade dos movimentos, da sedução do ritmo. Com ela escrevi uma cena espectacular de dança: espectacular pelo que me provocou, como escrevi, como me levei à escrita dessa cena. Brutal. Os Bastidores estão neste artigo.

Ben Howard – Old Pine. Esta música acompanhou – em modo replay – o meu escrito mais profundo, emotivo e doloroso. Demorei 2 anos até escrever um adeus; o mais doloroso da minha vida. Muitos foram os escritos de dedicação, saudade ou de escrever para sentir (mais perto). Mas o adeus em forma de texto veio no meu conto Futuro de Passado, (disponível no livro Ser Emoção), musicado pelo Ben Howard.

The XX, Intro. Esta música… Ah, esta música… Escrevo imenso ao som dos The XX, em particular erótico. O conto que mais me apaixonou escrever – e , também, o meu preferido – foi ao som desta música. O Espelho é um conto erótico, não publicado ou divulgado. Está reservado, para um dia o soltar. Mas foi o conto que mais prazer me deu a escrever *literalmente*. A música, esta, é perfeita para o escrito, foi a união perfeita.

Rodrigo Leão, Alma Mater – Música perfeita. Com ela escrevi um dos meus contos preferidos *deu-me tanto gozo escrever*, que deu nome ao meu livro de contos Ser emoção – o conto Somos Emoção. O artigo de bastidores está aqui.

Nick Cave & The bad seeds, The ship song. Mais uma música perfeita. Com o Nick passei uma noite em branco a escrever o meu primeiro conto: A Cabana, incluído no meu livro Ser Emoção. Esta música teve a melodia, a letra, a voz e a envolvência perfeitas para este escrito.

Theory of everything: Apesar de ter sido música efémera – a minha paixão por ela durou somente o tempo do escrito – teve um impacto gigante. A banda sonora do filme despertou a faceta da escrita que mais amo e desejo: a escrita-insana. Os bastidores da música, no artigo A playlist que me devolveu à escrita insana.

Sigur Ros: Tal como Anthony and the Johnsons, não associo Sigur Ros a nenhum escrito em particular mas a sua música tem um poder incrível na minha inspiração, em particular se quero escrever algo mais suave, envolvente; calmo. Apenas nessa mood oiço esta melodia mágica. É lindo! Dediquei-lhe um micro artigo: Perfeição de música nas mãos [alma] de Sigur Ros.

E vocês, caros seres-escreventes, também têm uma lista de músicas às quais associam escritos? Partilhem tudo! Melhor ainda:

Desafio-os a escrever um artigo sobre as músicas que vos inspiram.

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O meu livro de contos, disponível AQUI


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Ser-escrevente, ser-viajante. Movida a música e cafeína. Inspirada por sensações, sentires e emoções (eternas e efémeras), amores e desamores.

22 Comments

    1. Parecendo que a resposta será óbvia: o álbum é com piano? Devido a uma “amiga” (Tinnitus) piano é um instrumento musical que dificilmente consigo ouvir. Porém, quando consigo, vou logo à banda sonora do filme O último dos moicanos, é brutal. Obrigada pela sugestão, irei ouvir e dar feedback.

      1. o filme O último dos moicanos com Daniel Day Lewis? Faz tanto tempo que assisti esse filme que nem me lembro da trilha sonora… Tem um filme com um ator negro onde ele é um mendigo que vive numa caverna e tem alucinações, imagina que estão observando ele, mas então, tem uma cena no piano fabulosa… Tentei achar o nome do filme ou o ator mas fui incapaz…
        De qualquer forma, esse álbum é bem pesado, tem as músicas versão com banda mas preferi elas no piano e voz desse álbum…

        1. Ouve a banda sonora dos Moicanos (com o Day Lewis, sim), é brutal. Irei ouvir a tua sugestão, para escrever preciso de música intensa – nada muito vocalizado ou elaborado, “apenas” que me transporte até ao mundo que estou a criar. Algumas delas estão aqui, no artigo.
          Roger Waters também é perfeito.

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