Ontem recebi novo exemplar-prova do meu livro, com as correcções e melhoramentos: formatação, capa e alguns detalhes de conteúdo.

A sensação de conquista foi a mesma que a primeira vez, a gargalhada de felicidade ,semelhante. Estou feliz e orgulhosa do meu percurso e deste ponto de chegada – que é apenas uma meta, não um final.

Contudo, este processo de revisão final não está a ser fácil – estou envolvida demais, e sendo muito exigente comigo mesma, estou exausta do processo; cansada do meu próprio romance. Sinto falta da paixão que lhe tenho, do orgulho de ter criado personagens distintos mas complementares; do enredo envolvente; da emoção de ter escrito um romance brutal.

Algo que já sabia mas foi reforçado ao ler este artigo da Filipa: certas alturas precisamos de nos afastar da nossa obra. Não ler, reler, editar, rever ou sequer pensar nisso. Afastarmo-nos!

Mas ansiosa por o publicar, estas últimas semanas tenho vivido e respirado para este romance e todo o processo de autopublicação; enquanto vivo a “vida real”, com emprego e horários extensivos (e a minha companheira Tinnitus ao rubro).

O ideal, claro, seria ter uma revisão externa, um olhar fresco, isento e crítico; mas não tenho capacidade financeira para isso. Este projecto de autopublicação, exceptuando a formatação da capa, é todo da minha responsabilidade.

Assim, ontem recebi a encomenda da Amazon, abri o pacote, abracei o meu livro e voltei a guardá-lo.

Preciso de me afastar. Não lhe vou entregar nada de bom se o for rever neste momento, com este sentir.

Preciso serenar.

Hoje de manhã, madrugadora, no conforto do meu café matinal, deixei a inspiração alastrar-se nas veias, abri o romance que comecei a escrever quando voltei da viagem ao País de Gales e escrevi.

Apesar de ter a história toda organizada cronológica e geograficamente, o conteúdo precisa estar melhor definido, tenho muitas pontas soltas. Para este romance irei definir a estrutura ao detalhe, para não correr o risco de virar costas à escrita (como aconteceu a meio do segundo romance).

Hoje defini como objectivo enriquecer a estrutura. Os personagens estão caracterizados, a história definida, o final questionado e um personagem por moldar – consequentemente, a sua profundidade e impacto no enredo.

Gosto imenso desta fase, principalmente por ser feita de caderno e lápis *adoro*. Em qualquer sítio o posso fazer e sem precisar de me alhear do mundo como preciso para a escrita.

Envolvida na escrita do novo romance, repentinamente tive um desejo imenso de sentir o meu primeiro livro. Busquei o documento e comecei a lê-lo.

O sentimento de afeição voltou. O que eu adoro este romance!

A decisão de publicar em primeiro lugar o segundo livro que escrevi foi muito debatida entre mim e mim: se já tinha um terminado porque iria publicar primeiro o outro? Como disse neste artigo, fazendo uma auto-avaliação realista (e, acreditem, sou uma auto-crítica muito severa), considero que cresci imenso como escritora, a minha escrita está mais envolvente, mais “seca” (menos gordura no texto). Escrevo melhor agora que antes. Simples.

Aliado ao facto que ainda estava em êxtase de ter escrito um livro espectacular, intenso, apaixonante; e totalmente fascinada pelo meu romance, esse venceu. Nunca desvalorizando o primeiro, claro – é lindo.

Hoje voltei a ele. E os sentimentos com que o escrevi vieram ao de cima, as emoções que me empurraram estão cá. Obviamente quem o ler não vai empatizar com os meus sentimentos, não vai traduzir o texto com as minhas emoções (as que ofereci às palavras). Gostava, mas é impossível – cada leitor fará a sua leitura emotiva.

Irei escrever sobre os bastidores desse livro, por agora partilho que tem imenso de mim; dos meus sentires reais – que a perda da protagonista foi minha (projectada em realidade diferente), que o seu recomeçar de vida foi meu; que a sua viagem foi parcialmente minha.

Amo a história do romance, os personagens, as suas vivências,… Adoro o meu livro, é lindo.

*e agora vou voltar a ele, que ainda tenho uma hora antes de ir trabalhar!*

Imagem de capa: Unsplash


O meu livro de contos, disponível AQUI


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Ser-escrevente, ser-viajante. Movida a música e cafeína. Inspirada por sensações, sentires e emoções (eternas e efémeras), amores e desamores.

Auto-publicação | O dilema do romance em publicação e a perfeição do engavetado
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2 thoughts on “Auto-publicação | O dilema do romance em publicação e a perfeição do engavetado

  • 19 Outubro, 2017 at 5:48 pm
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    Olá, você passou no meu blog e vim visitar o seu e amei… Na verdade esse é meu segundo comentário no seu blog (o que você já sabe na verdade huahauaha). Fiquei muito curiosa com seu trabalho e com uma pequena dúvida… você já tem um livro lançado? Se sim como posso encontrá-lo?
    Desculpe qualquer coisa
    Amor & Luz

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    • 19 Outubro, 2017 at 5:51 pm
      Permalink

      Muito obrigada! Tenho um livro de contos na Amazon (link no meu perfil, aqui no blog) e ainda este mês irei publicar o meu romance.

      Reply

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