Este deve ser um texto comum a todos os autores independentes, aqueles com total responsabilidade no processo de publicação. Ou seja, os que tomam como seu todo o trabalho associado aos seus escritos, ao mais ínfimo detalhe – escrita, formatação, publicação e marketing.

Tal como tantos escritores-sonhadores, ao terminar o meu primeiro romance (ainda não publicado), enviei o manuscrito para todas as editoras portuguesas que encontrei, na esperança que uma delas aceitasse publicá-lo.

Obtive respostas positivas *que felicidade efémera*, mas apenas de editoras que pediam dinheiro para publicar, as chamadas “editoras vanity”.

O negócio consiste em o autor comprar, à cabeça, dezenas de unidades do seu próprio livro. Só depois do contrato firmado e pagamento concretizado, a editora avança para a publicação. Tudo bem, é um negócio e uma forma de ter as nossas obras publicadas. Ponderei seriamente fazê-lo mas o meu instinto disse-me para não avançar. Como a minha voz interior tem uma habilidade do caraças para saber o que é certo e errado, confiei – recusei as propostas.

Não desmotivada, reuni alguns dos meus contos em livro e enviei para as editoras  o  meu Ser Emoção. Excluí, no envio, as vanity.

Ausência de respostas.

Entretanto, escrevia o meu segundo romance.
Escrevo por paixão, por ser parte de mim. Claro que quero ser publicada porém não o ser não me impede de continuar a escrever.

Demorei quase um ano a terminar esse romance. Além de ter tido períodos em que me foi difícil encarnar três vozes diferentes – dar vida e conflitos a cada uma delas -, tive uma fase de afastamento. Foram três meses sem escrever.

Mas quando voltei… foi em grande! Tenho orgulho imenso no resultado.

Acreditando que iriam ver o que eu vejo – um romance espectacular! – peguei na listagem de editoras e enviei para todas (excepto as vanity, claro).

Dois ou três e-mails de resposta, agradecendo o envio mas que “a obra não corresponde ao nosso perfil editorial”.

Com isto, tinha neste momento dois romances e dois livros de contos enregelados na minha estante.

Decidi não decidir nada.

Conheço intimamente o meu processo de tomada de decisão. Por vezes, o ideal é afastar-me do problema/dilema e aguardar que a resposta surja, sem pressões.

Durante dois meses não fiz nada em relação às minhas obras. Continuei a minha vida, normalmente. *confio cegamente no meu instinto*

Em Junho foi o meu aniversário e, como tradição (criada desde que me mudei para Inglaterra), celebro-o em viagem. Este ano fui ao País de Gales. *o melhor presente de aniversário de sempre!*

De lá trouxe muita coisa: o enredo para um novo livro, decisões firmadas para a minha vida profissional e, também, decisões para a minha escrita.

Vim determinada a tomar as rédeas da publicação das minhas obras. Estão aqui, no meu computador, concluídas, a fazer nada.

Ao voltar de férias, fiquei em casa seis semanas – as primeiras por motivos de saúde, as restantes por tempo “between jobs”. Ou seja, quando vim de viagem dei uma reviravolta à minha vida. *tão bom*

Decidida a auto-publicar-me, comecei a ler sobre isso.

Mas além da pesquisa ouvi atentamente os conselhos da amiga C., que me recomendou criar uma plataforma de autor, onde pudesse vender as obras mas, também, mostrar o meu trabalho; permitir aos potenciais compradores verem as minhas competências como autora.

A ideia fez-me imenso sentido. Afinal sou uma anónima, porque haverão as pessoas comprar o meu trabalho?

Depois de ler, ininterruptamente, tudo o que consegui sobre plataforma de autor, criação de blogs, gestão de redes sociais e estratégias de marketing, avancei: criei este recanto, os Bastidores da Escrita, e as respectivas redes sociais. Publiquei alguns artigos e, então, tornei público o meu espaço.

Entretanto, permaneci no mundo virtual a ler testemunhos de autores independentes, de como alcançaram o seu sucesso. Sempre realista, claro. Sonhar é bom, mas para evitar uma queda aparatosa, os pés têm de ficar firmes no chão.

Li, também, sobre a parte técnica do processo de auto-publicar, preferencialmente com custos reduzidos.

Durante esta fase, publiquei em formato ebook o meu livro de contos Ser Emoção. Quis, acima de tudo, avaliar a receptividade do público português a este tipo de leitura. Pelo feedback de amigos e conhecidos, confirmou-se o que eu já sabia: a maioria das pessoas (eu incluída) prefere livros em papel.

A decisão já tomada ganhou a certeza absoluta: o meu romance iria ser publicado em ambas as versões, papel e ebook.

Depois de mais outras tantas leituras, decidi publicar, exclusivamente, na Amazon.

O amigo L., entendido nas artes do photoshop e tendo experiência na área criativa, ofereceu-se para me criar a capa. *obrigada*

Assim, a meu cargo, ficou a formatação do livro para upload para a Amazon, em ambos os formatos – papel e ebook.

Estou neste momento na fase final do processo de auto-publicação – fiz o upload e aguardo receber o meu livro. Depois de proceder aos devidos ajustes *encontro sempre alguns para fazer*, é fazer novo upload, novo teste e, finalmente, libertar a minha criação no mundo!

Irei, posteriormente, publicar o meu primeiro romance.

Tomei a decisão de começar pelo fim – publicar primeiro o último romance – porque, além de ser absolutamente apaixonada pela história e pelos personagens *estou ansiosa que o leiam!*, cresci muito como escritora. Amadureci, os meus textos tornaram-se melhores, mais reais, profundos, intensos. Sou, agora, melhor escritora.

O meu primeiro romance é lindo, adoro-o de forma terna e com devoção absoluta. Além disso, tem enorme valor emocional.

Acredito nele, muito. Como tal, quero dar-lhe o melhor – vou editá-lo todo, do início ao fim.

Já comecei a fazê-lo porém quero exclusividade nesse trabalho, o romance merece toda a minha atenção e dedicação. De momento tenho muito em mãos portanto, assim que abrandar, essa tarefa será prioridade na minha lista – mais que a escrita do novo livro.

À questão: “porque decidi publicar independentemente as minhas obras?”, a resposta é simples: porque se eu não lutar as minhas batalhas ninguém o faz por mim.

Como é do conhecimento geral, as editoras dificilmente agarram novos autores – é investimento de alto risco.

Pagar para publicar não me fez sentido. Seria dinheiro reavido, sem dúvida, pelo menos os meus amigos e família iriam comprar os originais que eu pré-comprei. Mas não o senti como solução. Ponto.

Para além disso, há o detalhe da “incrível” percentagem de lucro que as editoras oferecem aos autores. Talvez seja – espero! – por ser autor de primeira viagem mas, ainda assim, é muito desmotivante…

Em auto-publicação a margem de lucro é mais elevada e compensatória. Sem dúvida que temos mais trabalho porém, mesmo com publicações “normais”, o trabalho de marketing tem de partir do autor – temos sempre de lutar pelo nosso lugar.

Não o faço por dinheiro, coitados dos autores que entram neste mundo com essa perspectiva. Porém, obviamente, reconhecimento acompanhado de lucro é o grande objectivo. *há um grande sonho à espera de ser realizado*

Objectivo alcançado ou não, terei de esperar para ver.

Espero ter-vos desse lado, a acompanharem-me, a testemunharem, passo a passo, o meu crescimento como escritora.

Eu estarei por aqui, a escrever artigos, contos e livros.


O meu livro de contos, disponível AQUI


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Ser-escrevente, ser-viajante. Movida a música e cafeína. Inspirada por sensações, sentires e emoções (eternas e efémeras), amores e desamores.

2 Comments

  1. Olá Leonor! Gostei muito deste teu artigo e tenho exatamente as mesmas opiniões que tu nesta assunte: pretendo (quando chegar a minha altura) tentar publicar com as editoras tradicionais, mas se nenhuma mostrar interesse não vou parar por causa disso e também vou auto-publicar. Concordo também quanto às editoras “vanity”: honestamente, acho que há formas melhor de fazer as coisas. É verdade que a margem de lucro para o autor é assustadora na publicação tradicional, e também concordo que todo o trabalho de marketing e divulgação também depende muito do autor, mesmo quando tem uma editor apor trás. Para mim, o que faz toda a diferença e o motivo pelo qual quero tentar primeiro publicar com uma editora é a facilidade acrescida na distribuição e algum potencial incremento na divulgação. Muitos parabéns por teres tomado essa decisão e esse passo importante e estou ansiosa para ler o teu primeiro livro (publicado) =)
    Uma questão que não vi referenciada neste teu artigo e que gostava de te fazer prende-se com a edição e revisão do manuscrito. Eu acredito que as obras auto-publicadas não perdem nenhum valor em relação às publicadas tradicionalmente mas apenas se a coisa for bem feita. E, para mim, isso terá sempre de incluir uma boa edição e revisão profissional, por muito que o próprio autor se auto-edite e auto-reveja o texto escrito. Podes contar um bocadinho como procedeste com essa parte?
    Um enorme beijinho e tudo de bom para a tua publicação! Estou a gostar muito do teu blogue e vou continuar a acompanhar-te por aqui =)

    1. Olá Filipa.
      Obrigada pelo comentário e feedback.
      Quanto à tua questão da edição e revisão, concordo plenamente quando dizes que o trabalho tem de ser bem feito.
      O meu primeiro livro começou a ser escrito estava eu na fase final do curso de escrita criativa que frequentei. Para garantir a continuação do meu crescimento como escritora e uma boa revisão do meu trabalho, contratei os serviços do meu professor e todo o livro foi escrito com revisão dele – eu enviava-lhe cada capítulo escrito e, juntos, fazíamos a revisão.
      Para o segundo livro contratei novamente os seus serviços porém, a dada altura cancelei. A razão principal foi o factor financeiro porém, assumo, senti-me totalmente capaz de escrever todo o livro sem esse apoio. Poderá ter sido ambicioso mas garantidamente não me arrependo. Tenho um lado perfeccionista e sou capaz de fazer vinte revisões a um capítulo (ou mais), mudo vírgulas, experencio pontuações, diálogos, conteúdo. Assim, no meu severo sentido de auto-crítica, sei que o resultado final da minha escrita é o melhor que podia ter dado. Se é equivalente a uma revisão e edição exteriores? Não, não é. Mas eu sei que para o meu livro (em fase de publicação ? ) foi.
      Para o terceiro quero recorrer aos serviços de edição novamente, talvez nos mesmos moldes detalhados como antes ou mais generalizado; na altura irei decidir.
      Muito obrigada pelos votos!, desejo-te o mesmo, continua a escrever e não adies muito o teu “quando chegar a minha altura” – tu fazes a altura!

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