Música: o seu poder é imenso; inspira-me à escrita, retira-me de estados nostálgicos ou, em oposição, alimenta-os (por vezes precisamos estar neles, só um bocadinho), arranca-me de realidades monótonas, atira-me, que nem catapulta, para mundos irreais, fantasiados ou desejados.

Música é parte de mim.

Como partilhei (e desafiei) neste artigo, tenho músicas associadas a imensos escritos: cada conto tem uma; e imensas cenas dos meus livros têm, também, uma música por trás.

Mas o que falo hoje não é música na escrita nem música na leitura (para mim, prazer silencioso). Hoje falo da voz de escritor – da minha em particular – e da descoberta da música que a representa.

Como leitores, entregamos às palavras, frases e descrições, os nossos sentires e significados. A escrita é oferecida pelo autor mas a leitura é nossa propriedade.

No mundo de seres-escreventes fala-se imenso sobre a “voz do escritor” – algo único, uma impressão digital que, potencialmente, permite identificar o autor lendo somente algumas frases.

Sobre a temática, Stephen King diz:

A novel´s voice is something like a singer´s – think of singers like Mick Jagger and Bob Dylan, who have no musical training but are instantly recognizable. When people pick up a Rolling Stones record, it´s because they want access to that distinctive quality. They know that voice, they love that voice, and something in them connects profoundly with it. Well, it´s the same way with books. (…) An appealing voice achieves and intimate connection – a bond much stronger than the kind forged, intellectually, through crafted writing.

Dark the Light, writers on creativity, inspiration, and the artistic process

Muitos escritores têm dificuldade em encontrar e definir a sua voz. Eu não tive: a minha voz de escritor nasceu comigo. *o que não é sinónimo de ter uma voz reconhecida por leitores – esse é um sonho*

A voz da escrita não é algo palpável, é sentido. Poderá ser adjectivada ou criticada com definições técnicas mas não sentida.

Isto era o que acreditava até há uns dias quando, de fones a escrever um dos meus textos intimistas *com sentir à flor da pele*, ouvi esta música.

James Arthur começou a cantar Naked e eu senti, ao arrepio, a música como escrita.

A leitura da minha escrita flui nesta melodia, o timbre da sua voz abraça em corpo dançado como as minhas palavras; a rouquidão é perfurante como os meus significados,…

Esta música é a minha voz de escritor

Que sensação incrível ter materializado algo tão subjectivo.

Obviamente, tenho textos escritos em adrenalina ou voz gritante mas, no geral, esta é a minha voz. *e gosto tanto dela*

E vocês, caros seres-escreventes, conseguem identificar uma música para a vossa voz? Partilhem!


 

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créditos imagem: Unsplash

Ser-escrevente, ser-viajante. Movida a música e cafeína. Inspirada por sensações, sentires e emoções (eternas e efémeras), amores e desamores.

Ser Escritor | A minha voz de escritor
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4 thoughts on “Ser Escritor | A minha voz de escritor

  • 20 Fevereiro, 2018 at 9:31 am
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    Interessante a ideia da voz da escrita. Talvez eu não consiga identificar a música específica para minha voz, mas sem sombra de dúvidas, o artista da minha voz é Johnny Cash. Beijo.

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  • 22 Fevereiro, 2018 at 8:34 pm
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    Ah, eu sou apaixonada por essa música <3 E as vezes arrisco uns textos de quinta, mas nunca parei para pensar nisso da minha voz da escrita… Do jeito que sou indecisa, vou demorar horrores até conseguir uma definição rs

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    • 22 Fevereiro, 2018 at 9:42 pm
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      Quando ela aparecer vais saber. Agora que já tens a semente em ti, ela vai brotar 🙂

      Reply

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