Viajar é transformador.

Em 2014, quando larguei o meu Portugal e me mudei para Inglaterra, decidi que iria construir a minha nova vida com condimentos essenciais à felicidade. Um deles, imprescindível, seria Viajar.

Comecei o percurso pelo meu novo Lar: viajei até Cambridge – viagem com impacto profundo, que me permitiu  transformar o peso entranhado no peito em carga companheira. *somos simbiose*

Criei, nesta nova vida, a tradição de comemorar o meu aniversário em viagem. O de 2015 foi nas Canárias, o seguinte em Copenhaga e este ano no País de Gales.

Amo natureza, paisagens deslumbrantes, cruas, verdadeiras. Em Fevereiro estive na Islândia e fiquei arrebatada. Quis – precisava – de um destino similar; de me sentir no seio no mundo verdejante e genuíno. País de Gales é tudo isso e muito mais.

Sobre a viagem irei escrever aqui no recanto e mostrar com detalhe  – vale mesmo muito a pena. Por agora partilho o impacto que a viagem teve em mim, com algumas imagens (não perco a oportunidade de partilhar a beleza que vivi).

Planeei a viagem ao detalhe – sempre com margem para espontaneidade, claro -, a ocorrer na primeira semana de Junho. Vi tudo o que queria ver e tanto tanto mais.

Em seis dias conduzi 1.033 milhas (1.662 Km), foi uma aventura espectacular. Aliada à Islândia, foram ambas a viagem da minha vida. Em cada uma delas regressei diferente, com mais de mim. E essa é uma das razões porque amo viajar: os sentires são desfiltrados, a entrega às vivências é genuína. Em viagem permito-me viver em harmonia, em fidelidade.

Ao percorrer o País de Gales consolidei a certeza que é isso que me faz feliz: eu e a minha mochila a desbravar quilómetros, a conhecer novos locais; a desflorar novos (recalcados) sentires; a aprender história, culturas diferentes das minhas; a caminhar até à exaustão mas feliz como nunca…

Desta viagem trouxe decisões firmadas. O desejo de priorizar a escrita na minha vida já me habitava há algum tempo mas a “vida real” não mo permitia – dizia eu, como justificação.

 A vida é o que fazemos dela e tudo são escolhas.

Iniciei a minha viagem ao País de Gales sem planos exteriores à viagem, ao usufruto de mim em mim; de mim na estrada, na exploração, no conhecer. Terminei com tanto mais…

Ao sentir o prazer da descoberta, de me sentir livre *tão livre!* e disponível para fazer o que realmente queria e me fazia feliz, tomei uma decisão (a tal adiada): a escrita e o viajar iriam ser prioridade na minha vida.

Porém, nesta altura, directora de um lar de terceira idade, tempo útil era quase nenhum e disponibilidade para escrever era nula – andava cansada, stressada, sem capacidade de me alhear do mundo real para me libertar no meu mundo da escrita.

A solução era apenas uma: mudar de emprego.

Mudei. De um cargo de direcção passei para “support worker” – horários definidos, responsabilidade limitada, que finda no momento em que o turno termina.

Adoro o meu trabalho e cereja no topo do bolo: tenho tempo e disponibilidade mental para escrever.

Esta mudança de emprego acarretou alterações mais profundas que o trabalho, nomeadamente o factor financeiro – horas extras são agora muitas e, para viajar, serão ainda mais. Mas a minha escrita vai vingar, os meus livros vão vender e os meus sonhos vão (sempre) ser perseguidos. As viagens irão voltar à minha vida *tudo a seu tempo*.

País de Gales foi a viagem da minha vida: pela beleza estonteante que vi; pela felicidade que me ofereci e pelo assumir do ser-escrevente que sou.

País de Gales fez nascer uma escritora.

Deixo-vos algumas imagens, inspiradoras. Enjoy it!

 

Fotografia de capa: Tal-y-Llyn Lake | Tywyn | País de Gales

Junho 2017


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Ser-escrevente, ser-viajante. Movida a música e cafeína. Inspirada por sensações, sentires e emoções (eternas e efémeras), amores e desamores.

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